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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Cufa Ma lança o Cineclube Crioula




Cinema e intercâmbio cultural. Essa é a proposta do Cineclube Crioula que inicia suas atividades na sede da União de Moradores do Bairro da Vicente Fialho, em São Luís. A sessão de lançamento que está marcada para amanhã, 10, é resultado de uma parceria com o Conselho Nacional de Cineclubes do Ceará (CNC/CE) e com o programa Cine Mais Cultura que concederam filmes premiados do II Festival do Júri Popular do Ceará.


Os filmes fazem parte do projeto Mostra Cá que Mostro lá, que integra atividades cineclubista dos estados do Maranhão e Ceará. O Cine Crioula exibe amanhã, 10, os filmes “Dois mundos” de Tereza Jessouroun, “Timing” de Amor Admoni, “A arquitetura do corpo” de Marcos Pimentel, “O divino, de repente” de Fábio Yamaji e “A ilha” de Ale Camargo. A expectativa da coordenação do cineclube é receber um público de 60 pessoas.
De acordo com o coordenador do Cine Crioula, Bruno Gouveia, o objetivo do cineclube é garantir o acesso a filmes de qualidade a população. “O cine foi criado com o objetivo de, por meio de filmes de qualidade técnica e conteúdo, formarem um público espectador crítico”, destaca.
O coordenador explica que já está sendo planejada atuação do cine em outros bairros de São Luís e a realização de oficinas de capacitação na área de roteiro, história do cinema e produção de vídeos. “O trabalho do cine é sustentado no tripé exibição, capacitação e produção para o público que acompanha as sessões. Desta forma, conseguimos dá um retorno positivo para a sociedade que sofre com o acesso a produções cinematográficas de qualidade”, explica.


Cine crioulinha


Como parte da programação de lançamento do cine crioula foi realizada uma sessão especial com crianças moradoras do Vicente Fialho e bairros adjacentes que são atendidas pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (SEMCAS) em parceira com a Central Única das Favelas do Maranhão (CUFA). Cerca de sessenta crianças assistiram à sessão.
A sessão do cine crioulinha também serviu para inaugurar uma nova parceria do Cine Crioula. As sessões do cineclube serão integradas às atividades desenvolvidas pelo PETI. Além de aulas de teatro, percussão, atividades esportivas, danças, contação de histórias, as crianças também vão assistir filmes e participar de atividades do cineclube especialmente desenvolvidas para elas.


Projeto


O Cine Crioula é um projeto da Central Única das Favelas do Maranhão (CUFA/Ma) que desde 2008 atua com exibições gratuitas no bairro Vicente Fialho. Desde 2009, o cine faz parte do Conselho Nacional de Cineclubes (CNC), e no mesmo ano, por meio de edital, tem a parceria com o Cine Mais Cultura, do Ministério da Cultura (MinC) que disponibilizou todo o material técnico de exibição e um curso de capacitação ministrado em agosto de 2009, no Ceará.


Fonte:



quinta-feira, 22 de abril de 2010

CINECUFA- DA PERIFERIA PARA O MUNDO!


Por Cristiana Richard


A partir de uma palestra de Cacá Diegues no Fórum Permanente da Cufa, é despertado o interesse pelo audiovisual. Foi percebido que o hip hop é importante, mas não poderia ser a única referência. A missão era maior, era contribuir para que os jovens se organizassem ainda mais sem abrir mão de seus protagonismos. E assim em 2004 é criado oficialmente o primeiro Núcleo de Audiovisual da Cufa, situado na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

O curso de audiovisual conta desde sua criação com os mais renomados professores da área, como Cacá Diegues, Ivana Bentes, Rafael Dragaud, Paula Lavigne e Silvio Tendler, entre outros. Permite que jovens façam seus filmes com uma visão da favela, de como a periferia vê o mundo. Também é uma porta a mais para estes jovens no mercado de trabalho, como a parceria com a produtora “Luz Mágica”, de Cacá Diegues.

O núcleo de audiovisual da Cufa que reúne diretores, produtores, técnicos e roteiristas, em sua maioria, formados pela instituição, é internacionalmente reconhecido pelo premiado documentário "Falcão - Meninos do Tráfico", de Celso Athayde e MV Bill.

Renata Athayde é uma ex aluna do curso de audiovisual e hoje trabalha na produtora “Aquarela Filmes”, no Rio de Janeiro. Renata conta que o mais importante para ela no curso foi a oportunidade de colocar em prática o que se aprende – “Os alunos começam a ter uma noção do que realmente é produzir, filmar e dirigir. É uma tremenda responsabilidade e de fato uma grande chance.”

Renata diz também que todos deveriam aproveitar a oportunidade única – “Acho que os alunos do curso devem tirar proveito de todas as aulas e principalmente dos professores do curso que são profissionais que atuam diariamente nesse mercado e tendem a passar todas as experiências, o que pode acontecer até mesmo de trabalharem juntos em algum projeto no futuro.”Criar o Festival Internacional de Cinema - o Cinecufa, foi uma maneira de atender a demanda destas produções do curso, foi uma porta de saída. O festival também tem o propósito de mostrar aos jovens o que está sendo produzido no mundo todo, servindo de referência para estes jovens. Com o movimento do Cinema Novo na década de 50, um cinema mais realista, a favela foi retratada diversas vezes. Mas a proposta do Cinecufa é inverter esta posição, com a favela mostrando por ela mesma seu retrato, contando sua história e o que pensa do mundo.O Cinecufa impulsionou a expansão das Cufas internacionais, haja vista que o festival recebia produções de favelas do mundo todo, percebeu-se a necessidade da Cufa no exterior. A Cufa internacional hoje está presente em mais de dez países, entre eles: Áustria, Itália, Estados Unidos, Bolívia e Colômbia. O Núcleo de Audiovisual da Cufa inspirou outros projetos de cinema, além do CineCufa do Rio de Janeiro. Existe a mostra itinerante “Ver Favela”, RJ, que exibe produções feitas pelos alunos nas comunidades; “Cine Periferia Criativa”, DF, que é uma mostra de vídeo que tem como objetivo difundir a cultura da periferia (acesse o site: www.cineperiferia.com); “Cine Teles Pires”, MT, que visa a democratização do acesso a obras audiovisuais, com ênfase na produção brasileira; “Cine Crioula”, MA, que está em fase de construção.O Cinecufa está em sua quarta edição onde o pré-requisito para exibição é a favela ser a protagonista.

O festival acontece no Centro Cultural do Banco do Brasil – RJ em julho, com entrada gratuita.


Para saber mais acesse o site: www.cinecufa.com.br